Os Quatro Processos na Vida de Jesus

(Parte desse escrito teve como fonte direta a matéria “Jesus – A Outra Face”, da Revista Globo Ciência – Dezembro de 1997)


I) O PROCESSO DO NASCIMENTO

Jesus foi concebido de uma forma milagrosa, pelo Espírito Santo, para ser gerado e salvar a humanidade dos seus pecados. Jesus Cristo é também chamado Emanuel, que traduzido é: Deus Conosco.
Seus pais, Maria e José (descendente de Davi), moravam numa cidade chamada Nazaré. O anjo Gabriel foi enviado para lá afim de anunciar o nascimento de Jesus, o qual seria grande e chamado Filho do Altíssimo, herdeiro legítimo do trono de Davi, e o Seu Reino não terá fim, porque para Deus nada é impossível.
Ao descobrir a gravidez de Maria, José planeja fugir dela secretamente, antes que se casassem, para livra-la da vergonha e julgamento das pessoas, mas um anjo do Senhor lhe apareceu num sonho e lhe disse para que não temesse receber Maria como mulher, pois o Filho gerado dela era fruto do Espírito Santo. Então José, despertando do seu sonho, fez como o anjo lhe ordenara, e recebeu Maria como sua esposa, e não tocou nela até que se cumpriram os dias do nascimento de Jesus.
Devido a um decreto de César Augusto, para que todo mundo se alistasse, José foi com sua mulher, Maria, que estava grávida, à cidade de Davi, chamada Belém. Ali cumpriram-se os dias em que ela havia de dar à luz ao Salvador do Universo. Como não havia lugar para eles na “sala”, palavra – katalyma, em grego – que pode se referir tanto a um albergue quanto a uma casa de parentes. O fato é que o lugar estava lotado pela multidão que fora se recensear, e o casal teve de passar a noite do lado de fora, onde ficava a manjedoura dos animais, e foi desta forma muito humilde e simples que Jesus Cristo nasceu, quando sua mãe O envolveu em panos e deitou-o na manjedoura onde os animais se alimentavam e descansavam.
Por causa da ameaça de Herodes, o governador, tiveram de voltar para casa por outro caminho. O anjo do Senhor apareceu a José em sonhos e lhe disse para levantar-se com o Menino e sua mãe, e fugissem para o Egito, e permanecessem lá pois Herodes procurava o Menino para O matar. Ao saber da fuga, o político poderoso decretou que se matassem todos os meninos de dois anos para baixo, esperando que Jesus fosse exterminado entre estes. Estiveram no Egito até a morte de Herodes e assim cumpriu-se a Palavra do profeta que diz: “Do Egito chamei o meu Filho”. Assim, por divina revelação, morto Herodes, voltaram para a Galiléia e habitaram em Nazaré, para se cumprir também o que fora dito pelos profetas: “Ele será chamado Nazareno”.
Jesus já existia antes de nascer do ventre de Maria. Ele mesmo disse: “Antes que Abraão fosse, Eu Sou”. Ele estava no Princípio com Deus, todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. Jesus, o Verbo, o Logos, a Palavra, se fez Carne e habitou entre nós, e por Ele vemos o Unigênito do Pai, conhecemos a Sua glória e Poder, cheio de Graça e de Verdade, e a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no Seu Nome. Quem crê que Jesus veio em carne e que Ele é o Filho de Deus, tem direito à Vida Eterna.


II) O PROCESSO DA PREPARAÇÃO

Este período abrange desde a adolescência até parte da vida dulta de Jesus. Ele era filho de família pobre, tinha origem humilde. A tradição diz que era filho de carpinteiro, e o Evangelho segundo Marcos indica que Jesus realmente seria carpinteiro, pois os ofícios passavam de pai para filho. No texto grego do Evangelho, Marcos usa a palavra 'tékton', que se aplicava tanto a carpinteiros quanto a pedreiros e serralheiros. É mais provável então que Jesus fosse um trabalhador autônomo que exercia diversas habilidades profissionais. Mas como explicar que um homem de origem e vida simples tivesse tanta sabedoria? Bem, desde menino, Jesus crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a Graça de Deus estava sobre Ele. Quando tinha 12 anos, foi com seus pais à festa da Páscoa, e permaneceu no templo, escondido dos pais, e todos os que o ouviam admiravam a Sua inteligência e respostas; assim desde muito cedo Jesus cuidava dos negócios de Seu Pai, e crescia em estatura e em Graça para com Deus e os homens.
Do ponto de vista dos evangelistas Jesus era extremamente sábio porque eles pressupunham a natureza ao mesmo tempo humana e divina de Cristo. Outros autores mais imaginativos fizeram Jesus viajar em busca do conhecimento a terras longínquas, como a Índia e o Tibete. Não se deve esquecer que no tempo em que Jesus viveu era muito difícil encontrar um judeu analfabeto, pois segundo a tradição judaica, o menino devia ser alfabetizado para que, ao completar 13 anos, cumprisse o dever de comparecer à sinagoga e ler uma passagem das Escrituras, durante a cerimônia do Bar Mitzvá, na qual se tornava responsável por todos os seus atos.
É muito provável que Jesus, ainda jovem, teve acesso a essa educação básica, restrita ao sexo masculino e que compreendia a leitura e a escrita, a história do povo judeu e o conhecimento dos Salmos, adotados como orações. Se vivesse hoje, poder-se-ia dizer que Jesus concluiu o "Ensino Médio".
Já o apóstolo Paulo, esse sim teve acesso à educação superior, que era obtida através do contato direto com rabinos ilustres. Ele desfrutou deste nível elevado de educação no discipulado do rabino Gamaliel, um dos grandes mestres de sua época. Paulo seria hoje um homem com doutorado, PHD, muito letrado e erudito, profundo conhecedor de línguas e culturas, história e filosofia. Jesus, no entanto, devido à sua origem social de pouco poder, teve nisso um grande obstáculo que O impediu de alcançar a educação superior.
Havia também outra forma de adquirir conhecimento, sem precisar viajar nem ter um grande mestre: era uma via de acesso formada pelas confrarias místicas, e não era preciso sair da Palestina nem ser de família rica para encontrá-las. Os Evangelhos não afirmam, mas alguns dos Seus ensinamentos, certos fatos de Sua vida e a própria maneira como constituiu o Seu grupo de discípulos são indícios que apontam Jesus ter tido mesmo contato com esses grupos de ensino informal.


III) O PROCESSO DA TENTAÇÃO


Logo após ter sido batizado por João Batista, Jesus jejuou durante 40 dias no deserto da Judéia. Foi um teste muito difícil, em condição de isolamento e privação total, onde Ele foi levado a confrontar o lado sombrio de si mesmo, o homem num momento de intenso confronto consigo mesmo. Esse confronto assume na Bíblia a forma de três tentações oferecidas a Jesus pelo Diabo. Nesses 40 dias Ele foi tentado e não comeu coisa alguma e, terminados eles, teve fome.

a) Transformar as pedras em pães e quebrar o jejum

“Chegando-se a Ele o tentador, disse-lhe: Se Tu és o Filho de Deus, dize a estas pedras que se transformem em pães. E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está Escrito: nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus”.

Esta primeira tentação usa a vontade da carne contra o espírito, a busca pela auto-satisfação, o prazer, a comodidade sem escrúpulos, os privilégios e regalias da vida, e muitos são os que caem nesta cilada, para satisfazer o próprio ventre, se esquecem de viver a Palavra de Deus. O Diabo quis que Jesus usasse o Seu Poder em favor próprio, fosse egoísta para se beneficiar e favorecer, amenizando os perigos e a escassez do deserto, e assim facilitasse a vida.

b) Atirar-se do alto do templo de Jerusalém

“Então o Diabo O transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo. E disse-lhe: Se Tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque Está Escrito: Que aos Seus anjos dará ordens a Teu respeito para que te guardem e O segurem pelas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra. Disse-lhe Jesus: Também Está Escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus”.

Ao perceber que Jesus usou a Palavra para neutraliza-lo, o Diabo usa a mesma para contra-atacar. Jesus era homem, e vivia como tal, tinha natureza divina e humana, mas não estava imune a feridas e acidentes, muito menos a uma tentativa clara de suicídio como esta que o Diabo Lhe propôs. Se Jesus se jogasse do pináculo do templo, certamente iria morrer, como qualquer homem, e o plano de salvação do mundo e a Plenitude dos Tempos conheceria seu fim. O Diabo queria frustrar o Plano de Deus. Jesus demonstrou sabedoria e temor a Deus, mesmo sendo Seu Filho.

c) Adorar o próprio Diabo em troca de poder, glória e reinado sobre a Terra

“Novamente O transportou o Diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero; portanto, se prostrado me adorares, tudo será teu. Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque Está Escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele servirás. Então, acabando o Diabo toda a tentação, ausentou-se dEle por algum tempo. E eis que chegaram os anjos e o serviam”.

Realmente o poder e glória do mundo foram dados a Satanás e ele os dá a quem quer. Mas há muitos que adoram o Diabo prostrados e mesmo assim permanecem a vida toda sem glória e poder nenhum, isto porque ele escolhe a qual de seus “adoradores” vai “levantar” e dar poder. Ele quis dar a Jesus uma garantia que não dava a ninguém, o Diabo ofereceu o melhor que tinha, mas Jesus recusou à oferta tentadora e mandou-o para longe. Jesus sabia que o Seu Reino não é deste mundo, que a glória e o poder pertencem a Deus, e que nada deve ser feito pensando na própria glória, em ser o “rei”, pois isso indica não o domínio de Deus, mas que se está prostrado aos pés do Diabo adorando-o. Jesus tinha de morrer na cruz, e não dominar ou ser o rei do mundo. Assim Ele envergonhou o Diabo.


(Esse texto ainda não está completo)


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