Fulminado Pelo Erro

Eu sempre olhava a vida das pessoas
e pensava que estavam errados, e que eu estava certo.
Que todos eram fracos demais e que só eu era forte.
E se quisessem ser fortes, teriam de parar para me ouvir.
Eu tinha opinião sobre tudo, eu sabia tudo, e nada me intimidava.
Passava por alguns desafios com a sorte da juventude
e achava que aquilo me fazia de alguma forma melhor que os outros.
Sempre insistia nisso: que o mundo tinha que parar e olhar para mim,
todo mundo teria algo a aprender comigo, e só comigo.
Eu era a "resposta", a "solução" para aqueles pobres velhos ultrapassados,
adultos imaturos e jovens perdidos e desastrados;
que eu julgava perdidos, incapazes de saber o caminho.
Era como se eu tivesse uma "revelação especial",
e fosse o "escolhido" para tirar finalmente o mundo das trevas
e trazê-los para a maravilhosa "luz".
O melhor emprego seria o meu, a casa mais bonita seria a minha,
a mulher mais linda seria a minha, os filhos mais abençoados,
a família mais rica e distinta, o carro mais luxuoso,
a posição de maior destaque... tudo isso, loucura!
Eu me achava pronto para negar tudo e humilhar a todos
para estabelecer uma nova "Ordem", a minha ordem,
onde eu regeria as nações com braço de ferro
e Deus seria o meu "braço direito", sim,
porque o "Todo-Poderoso" seria eu! Deus manda no Céu, na Terra mando eu!
Mas eu achava que tudo era feito em Nome de Deus,
em Nome de Jesus, pela inspiração do Espírito Santo,
afinal ninguém sabia e lia mais a Bíblia do que eu,
eu estava entre os melhores, só mesmo por uma injustiça
é que não era reconhecido, mas logo, logo a justiça seria feita
e eu figuraria entre os grandes e com o tempo seria o chefe deles!
Eu era razoavelmente puro, era "santo", o mais santo, era uma exceção,
o cara que nunca caía em nenhuma cilada, que resistia a tudo,
que tinha autoridade e visão espiritual, predestinado a ser livre
e a libertar o povo da opressão e tirar a humanidade das garras do Diabo.
Somente eu suportava a solidão, era o grande leitor,
o mago e mestre das palavras, que ridicularizava a erudição
e desprezava o senso comum, que se tornavam em nada
diante do meu "avançado" nível filosófico e espiritual.
Eu era a pedra rejeitada que devia ser posta como cabeça de esquina!
Sob o pretexto de humildade eu me dizia a "ponte sober águas agitadas"...
quando na verdade não passava de um crocodilo se fazendo de pedra pra enganar e devorar a presa.
Mas veio fatalmente a operação do erro, o engano, e fulminou a minha "grande" potência,
de modo que hoje nada mais disso sou ou penso que serei,
e tudo o que realmente tenho é a eleição diária pela Graça, favor imerecido.
Pelas minha obras mortas eu não sou capaz de conquistar nada, e aviso a todos que estão no Caminho:
A prosperidade gera a ingratidão, e sem Graça, o pecado destrói a vida.
E não se engane! Eu ainda sou um pouco pior do que consigo reconhecer.

NEle, que fulmina a quem confia na própria potência, pelo próprio erro,
destrói a prisão do orgulho e mostra a liberdade que há na Graça.
Humildade e pés no chão, sempre. Gratidão: ajude a quem não tem, de Graça.
Pague para doar, e não doe para receber.

elitejp
23 de Dezembro de 2007